16 de dez. de 2009

Muito mais do que alimentos...

O texto abaixo foi publicado, não na íntegra, na Premier deste mês. Infelizmente, a revista precisa obedecer a algumas regras, principalmente as que surgem de última hora, e a matéria teve de ser cortada. No entanto, com a 15ª Conferência da Onu sobre mudanças climáticas, principalmente, a questão da sustentabilidade está cada vez mais presente nos noticiários. Eu nunca havia me preocupado tanto, e dado tanto valor às pessoas e empresas que mostram preocupação com o aquecimento global, o desmatamento e todos esses fatores que acabam com nosso mundo. Hoje, entendo melhor porque é preciso valorizar cada iniciativa que tem por objetivo preservar a vida.

Sustentabilidade: nunca antes se ouviu falar tanto nesta palavra quanto nos dias atuais. As pessoas cada vez mais estão se conscientizando da importância da preservação ambiental, que é, resumidamente, o significado da palavra citada. Por isso, o mercado mundial está mais atento a necessidade de oferecer produtos orgânicos ao consumidor, atendendo, assim, os parâmetros de exploração de áreas e o uso de recursos naturais do planeta de forma a prejudicar o menos possível o equilíbrio entre o homem e o meio ambiente.


Diferente do que muitos ainda pensam, os produtos orgânicos não se resumem a alimentos produzidos a partir do cultivo sem agrotóxico. Roupas, bolsas, sapatos e cosméticos também podem ser ecologicamente corretos. No primeiro caso, as peças são confeccionadas com algodão cultivado nos padrões da agricultura orgânica. No segundo, são artigos de higiene e beleza feitos a partir de matéria-prima natural. Engana-se quem associa produtos orgânicos apenas com o conceito de ecologicamente correto. “Esse é apenas a ponta do iceberg”, metaforiza Rafael Krause, responsável pela Herbia. “Para ser orgânico, o produto também deve ser socialmente justo, culturalmente aceito e economicamente viável”, completa.


Criada com a missão de produzir óleos essenciais e artigos diferenciados na linha de cosméticos e perfumaria utilizando insumos naturais, com ênfase na biodiversidade brasileira, a Herbia nasceu a partir da percepção de mercado de Gilberto Krause, pai de Rafael. “Ele sempre disse que o Brasil tem a biodiversidade, clima, mão-de-obra, água e terra favorável para o cultivo agrícola, o que nos coloca em posição de vantagem competitiva no mercado mundial”, conta o filho.


Estabelecida em Joinville há pouco mais de três anos, hoje a Herbia produz também shampoo, água perfumada, emulsão hidratante e sabonete líquido, todos orgânicos “São produtos básicos, que todo mundo usa e, além disso, podem ser testados em outros nichos de mercado, como farmácias de manipulação, lojas de produtos naturais, spas, clínicas de estética e lojas de artigos para cama, mesa e banho”, detalha Rafael.


Iniciativas

Quando o assunto é sustentabilidade, algumas iniciativas dão conta da importância do debate, para que esse pensamento seja absorvido por cada vez mais pessoas. WWF Brasil e Greenpeace são duas organizações independentes que atuam em defesa do meio ambiente, a fim de promover o uso racional dos recursos naturais em benefício da população mundial de hoje e das futuras gerações. Até mesmo o Google, maior portal de buscas online está engajado na questão ambiental, por meio do Eco4planet. Desde agosto deste ano o Eco4planet efetua o plantio de árvores de acordo com o número de acessos ao portal, além de economizar energia com sua tela predominantemente preta, o que faz com que o monitor utilize até 20% menos energia para exibi-la.


Na opinião de Rafael, o ramo de óleos essenciais ainda não é viável no Brasil, o que justifica a pouca produtividade, principalmente no ramo de. “A formulação é mais cara, não há fornecedores de matéria-prima em grandes quantidades e muita coisa é importada”, explica. Consequentemente, os produtos finais acabam tendo custo mais alto para o consumidor. “Mas o maior desafio do nosso setor é catequizar as pessoas, para que elas adquiram a cultura sustentável. Para que elas entendam o motivo de um cosmético orgânico custar até quatro vezes mais que um comum”. Felizmente, empresas de cosméticos, como as citadas anteriormente, vêm substituindo, aos poucos, insumos químicos por produtos orgânicos na sua produção. “Podemos lembrar até mesmo do creme dental Colgate”, exemplifica, explicando que sua formulação utiliza geralmente óleo essencial de tea tree ou de cravo, pois estes tês ação anti-séptica muito forte e são 100% naturais.


Uma nova cultura

Rafael credita a dificuldade de migração dos pequenos produtores rurais para culturas orgânicas às políticas governamentais do passado, que incentivavam o uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos.

Para Rafael, a tendência do mercado é mudar, priorizando a saúde humana e ambiental. Ele nota que, além de serem 100% naturais e terem aroma agradável, os cosméticos orgânicos têm outros benefícios. Um exemplo é a água perfumada, que acaba sendo um excelente purificador de ambientes, lençóis, fronhas, sofás e carros devido a função anti-séptica dos óleos essenciais contidos na formulação. Outro adendo feito pelo empresário é de que os cosméticos são utilizados no maior órgão do corpo, a pele, que absorve tudo que é colocado em contato com ela. “Existem vários estudos publicados no exterior que questionam e chamam atenção para os efeitos ao longo dos anos pela utilização de produtos cosméticos com substâncias químicas como, por exemplo, parabenos e sulfatos, que estão presentes nos cosméticos tradicionais. Estas substâncias são proibidas nos cosméticos orgânicos”, salienta.

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