4 de fev. de 2010

Quem ama o feio, bonito lhe parece

Beleza é uma palavra que me intriga. Não consigo definir seu significado, por mais fácil que possa parecer. Será que beleza é sinônimo de boniteza, ou será que beleza é uma experiência sensitiva?

Ontem, essa dúvida ressurgiu no meu pensamento, pois ouvi uma pessoa dizer que “basta ser bonita, o resto a gente ensina”, sobre o critério para a contratação de uma funcionária. Aí comecei a analisar tal critério: se a menina for bonita, pode falar errado, não saber ler e escrever corretamente, ou pior, ser arrogante e má intencionada. Complicado. Principalmente porque beleza é algo muito subjetivo. O que é bonito pra mim, nem sempre é para as outras pessoas. Já diz velho ditado: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”.

Concordo com Miguel-Angel Martí-García quando ele diz que “a forma de falar de uma pessoa diz mais dela do que o seu vestuário”. Claro que a primeira impressão que se pode ter de alguém é referente à sua aparência. No entanto, é preciso esclarecer que primeira impressão não combina com julgamento, que é o que diversas vezes acontece. O famoso pré-conceito afasta as pessoas ao invés de uni-las aos seus semelhantes.

Pra mim, Helen Keller tem razão ao expressar que “as maiores coisas do mundo e as mais belas não podem ser vistas e nem sequer tocadas. Devem ser sentidas com o coração”. Mas ah, como é difícil encontrar pessoas que pensem dessa forma também. Ultimamente tenho sentido ainda mais essa dificuldade no “mundo” com o qual convivo diariamente. Ontem, por exemplo, foi a primeira vez na minha vida que me senti humilhada. Me senti a famosa mosca do coco do cavalo por ter uma casa grande (a qual meus pais construíram com muito esforço e economias), por ser esforçada e cursas uma faculdade. Estranho, não é? Bom, foi o que eu pensei quando ouvi um “dane-se (de forma mais agressiva, com outras palavras que prefiro não reproduzir) se precisa pegar ônibus ou se não tem dinheiro para comprar uma blusa. Dane-se se não tem dinheiro para investir na sociedade de uma empresa. Não quero saber de seus problemas”.

Sempre me disseram que eu sou muito boazinha e que, por isso, tenho que cuidar com as pessoas. Parece que agora isso finalmente clareou na minha cabeça. Por não responder com falta de educação, não ser agressiva e compartilhar minhas ideias antes de fazer besteira que pode comprometer alguém sem eu saber, pessoas usam seu “poder” para me humilhar. Isso não é justo. “Não pense que você sabe, porque você não sabe. Falta muito ainda pra que você seja boa o suficiente”. É claro que não sei tudo, até por isso curso uma faculdade, leio bastante, procuro me manter informada sobre os mais variados assuntos. E, justamente por isso, não fico estagnada num lugar, conformada com a posição que tenho em várias atividades. Será que é tão difícil mostrar “poder” sem ser cruel? Será que é tão difícil usar a racionalidade (como a pessoa disse estar fazendo) sem comprometer a boa educação e os bons princípios? Será que ter poder significa desmotivar ao invés de incentivar?

Acredito veemente que pessoas belas passam e nada delas dura. Pessoas inteligentes e bondosas passam da mesma forma, mas suas ideias e atitudes são lembradas na posteridade. "Ainda que lhe arranque as pétalas, não privarás a flor de sua beleza” (Rabindranath Tagore).

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