4 de dez. de 2009

O que é doce pra você?



Pirulito que bate bate
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu
Ora palma palma palma
Ora pé pé pé
Ora roda roda roda
Caranguejo peixe é





Meu limão, meu limoeiro
Meu pé de jacarandá
Uma vez tindô lelê
Outra vez tindô lálá

Sempre gostei de cantigas de roda e de desenhos bem coloridos. Ultimamente, no entanto, parece que tal gosto tem sido reforçado... Não sei ao certo o motivo, penso que pode ser a correria diária e os tantos compromissos que fazem a saudade de um tempo que não volta mais fazer doer o peito. Mas é uma dorzinha boa, de boas lembranças. Lembranças das danças no corredor de casa enquanto a vitrola girava o vinil de Carrossel, Trem da Alegria e um especial só com canções infantis. Ah, como eu gostava... Como eu gostava de cantarolar sozinha em frente ao espelho, enquanto me divertia na gaveta-escrivaninha do meu quarto, com papeis de carta que mais pareciam tesouros dentro de um baú. O mundo tinha um tamanho tão grande, porém, em nada se assemelhava ao mundo atual. Ele não era feito de balas, chicletes e chocolates, não. Mas ele não era feito de crueldade e hipocrisia.

Ontem recebi por e-mail uma matéria de jornal intitulada "Pulseiras do sexo e da discórdia", que discorre sobre pulseiras coloridas usadas por adolescentes (ou aquelas crianças que se acham adultas), mas que, na verdade, não são só simples adereço: são códigos para experiências sexuais. Fiquei espantada! Na minha concepção, a culpa não é dos adeptos de tais acessórios, mas sim, do incentivo da sociedade, de certo modo, às vezes até subliminarmente, da prática sexual.

Pra completar, ontem, enquanto estava fazendo as unhas, as manicures conversavam a respeito de uma moça de 22 anos que se dizia virgem porque queria se guardar até o casamento. Comentários como "é o cúmulo" eram os mais expressados, logo acompanhados de "meu marido pegou só o bagaço... troquei tanto óleo antes". Fiquei pensando: qual é o cúmulo, afinal? Valorizar o próprio corpo e os sentimentos, ou fazer de tudo um pouco para conhecer o sabor? Qual é, afinal, a ingênua da história?

Cada um tem, claro, direito de fazer o que quiser, com quem quiser, a hora que quiser. Mas o cúmulo, creio eu, é, de fato, atirar pedras contra alguém que faz diferente daquilo que você acha normal. Quer dizer, o que é normal? Quais são nossos valores? Em que acreditamos? Fazemos algo para mudar a realidade que destrói?

Ficam as perguntas... e a vontade de fazer diferença.

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